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© 2005
A
internet acabou com
o amanha
Era uma morte
anunciada. Nós mesmos fomos lentamente fazendo o amanha
definhar. Passamos a ter necessidade de saber o que acontece na hora em
que acontece. Ou será que começamos a achar isso
necessário porque essa oferta da informaçao
instantânea passou a existir? Vamos deixar essa discussao para os
historiadores. Daqui a alguns anos, desconectados do nosso presente,
serao capazes de relacionar necessidades e invençoes - vao expor
como nós, criaturas do início do seculo 21, nos tornamos
dependentes do instantâneo. Precisamos saber de tudo agora,
precisamos ser localizados por outras pessoas a qualquer hora,
precisamos poder estar longe como se nao tivessemos saído do
lugar.
A
internet
só deu o golpe final de um movimento que começou
há anos. Basta passar no botequim da esquina - o televisor vai
estar ligado num canal só de notícias. O atendente
terá um olho no copo que enxuga com o pano e outro na tela. A
CNN, mae do formato, nao é tao velha, é de 1980. É
só pegar um táxi - muitas vezes o motorista vai estar
ouvindo uma rádio só de notícias. A
informaçao de hoje é consumida hoje, seja pela TV, pelo
rádio, pela internet.
Alguém
sobrevive atualmente lendo no café da manha o jornal com as
notícias de ontem e deixando para saber as notícias de
hoje mais tarde, à noite, no Jornal Nacional??
Acabou
o
amanha e acabou o jornal diário, pelo menos no formato que a
gente conhece. Enquanto estamos preparando esse livro (Blue Bus 10
Anos, 2005), penso no que está acontecendo com os tradionais
diários ingleses. Estao se convertendo em tablóides, para
serem lidos pelas pessoas no metrô, no ônibus, no trem.
Imagina abrir aquela página enoooorme do jornal convencional sem
acertar o vizinho com o cotovelo? Nao é só isso. Imagina
ler colunas e colunas de texto no trajeto de casa para o trabalho? Um
jornal menor no tamanho, menor nos textos, um jornal móvel como
nós. Penso no Financial Times que encontrou numa folha de papel
A4 uma alternativa para preencher o espaço entre o hoje (a
internet) e o amanha (a edição impressa). Se vai dar
certo sair no meio da tarde? Nao creio ;- ).
A
discussao que surgiu nos últimos anos opondo internet e jornal
tem um defeito de nascença - nao entender que o suporte da
notícia (computador ou papel) é irrelevante. O que
é importante, o que está determinando as mudanças,
é a experiência de tempo das pessoas!
Elisa
Araujo é mestre em Historia
Social da Cultura e
graduada em Jornalismo pela PUC RJ. De 1989 a 1995, coordenou
projetos de marketing cultural, entre exposiçoes, pesquisas
historicas e iconograficas, livros e videodocumentarios. Foi reporter e
redatora free lancer e assessora de imprensa. Desde 1998 é
publisher e jornalista responsavel por Blue
Bus. Clique na foto para mandar
email.
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